ARREMATE FINAL
Branca Maria de Paula
foto©BrancaMdePaula, Branca e James, Write in Rio '09 Prazos a combinar Revisão final (revisão de linha):R$16 a lauda. Preparação de texto (copydesk):R$20 a R$40 a lauda, dependendo do material. Com urgência Revisão final (revisão de linha):R$20 a lauda. Preparação de texto (copydesk):R$30 a R$70 a lauda, dependendo do material. Pacotes especiais de revisão e ghost-writing para os autores assessorados pela J McSill Ltd. Consulte-nos. *Lauda de 1250 caracteres | O tempo, esgotando-se entre um ato e outro, roubou suas noites, perturbou seus dias: horas, segundos – tudo evaporava num piscar de olhos. Dúvidas e revoluções em torno do próprio umbigo (que hoje recebe o codinome de computador). Períodos áridos, de estranha calmaria. E aquilo de voltar sobre os próprios passos, refazendo o misterioso trajeto da escrita: idas e vindas intermináveis. Tudo isso você experimentou, mas, estóico, não desistiu da empreitada. Dedicou-se exaustivamente a seus personagens, dando-lhes razão para existir no universo literário. Esmerou-se no desenrolar da trama e cuidou da estrutura narrativa da história, que agora tem tudo para ficar famosa! Confira, então: as cenas ficaram perfeitas. Os conflitos, na medida certa. E todas as soluções ganharam corpo segundo o tal ponto de vista, escolhido a dedo. Sorte você ter contado com a preciosa ajuda do James, que forneceu-lhe o fio para sair do labirinto. Não fosse ele... Em suma, as etapas do processo foram vencidas uma a uma, com sucesso. Heroicamente, você superou todos os obstáculos. Todos, menos um, que na verdade nem obstáculo é, mas o arremate que credencia a obra. Então, rememorando... Entre o breve período de inspiração - quando se sentiu de repente iluminado por uma ideia que arrebatou você por inteiro -, e o ponto final do último capítulo, um rio caudaloso passou debaixo da ponte, ameaçando levá-la na corrente. E a transpiração se fez imperativa. Pouco a pouco, você venceu o medo e a (infinita) distância entre seu pensamento inicial e a conclusão da obra, indo da potência ao ato - como deixou claro Aristóteles, alas! Você criou um mundo que desde então passou a existir e pôs para funcionar sua caixinha de pandora, sendo o primeiro a se surpreender com a própria imaginação: liberada, causou-lhe espanto. A você, autor. Não é o máximo? Não, ainda não. Falta mais um pedacinho. Um pedacinho até gostoso, conquanto você arregace as mangas e se ponha a trabalhar, adotando a postura de um leitor imparcial e exigente: puxa vida, é a quarta vez que a tal palavrinha aparece no mesmo capítulo. Que pobreza de linguagem! Ih, lá vem ele (o autor) de novo, a explicar o óbvio... Mas isso aqui não é lugar-comum, clichê dos brabos? Pois é. Cortar também é bom, se for para maior clareza do texto. O que adianta uma bela frase se ela não tem serventia na história? Melhor deixar de molho no arquivo e usar em outro lugar. Invente uma nova forma de dizer o mesmo. E agora, será que está mesmo passando o que quero? Pode ser que sim, pode ser que não. Melhor dar mais uma olhadinha. Além da clareza do texto, vamos apurar o ritmo. E ver se existe concordância, latu sensu. É o momento de refinar a linguagem. Em outras palavras: é hora de dar um trato na língua. A propósito, de que forma o seu personagem falaria isso? Se for do tipo marginal (aquele que vive à margem de) o mais provável é que diga qualquer coisa como: pô, cara, vamo dá uma geral no conversê, sacou? Bem, não há como negar: se o texto emperra, a história não flui e o leitor... desiste! Eis porque conteúdo e forma, companheiros inseparáveis, devem ser um par bonito de se ver. Uma narrativa vibrante, coerente e concisa pode operar milagres junto aos leitores. Principalmente se ele/ela for editor/a ou agente literário/a - daqueles/as que leem seus possíveis autores. Então, é isso aí, caro escritor: depois de tanto investimento, não é justo morrer na praia. Ao mar, pois, com os motores azeitados! Sereias e tubarões esperam por você. |