99 + 200 comandos para trabalhar com o McSill Ultra 5.0
Existe uma maneira muito simples de usar inteligência artificial: escrever qualquer coisa na caixa de diálogo, pedir «melhora isto» e esperar pelo resultado. Às vezes, o resultado surpreende. Outras vezes, recebemos um texto correto, organizado, aparentemente bem escrito, mas tão previsível que poderia ter sido produzido para qualquer pessoa, sobre qualquer assunto. Não significa que a inteligência artificial tenha falhado. Muitas vezes, fomos nós que lhe demos pouco com que trabalhar.
Pensa no que aconteceria se entrasses no consultório de um médico e dissesses apenas: «Quero sentir-me melhor.» Antes de propor qualquer coisa, ele precisaria de fazer perguntas. O mesmo aconteceria se procurasses um arquiteto e dissesses: «Quero uma casa bonita.» Bonita para quem? Para viver de que maneira? Em que lugar? Com que espaço? Para uma pessoa ou para uma família? A palavra «bonita» parece dizer muito, mas, para quem precisa de transformar uma intenção em resultado, diz quase nada. Com a inteligência artificial acontece algo semelhante. Pedimos que um texto fique «melhor», que uma história seja «mais emocionante», que uma ideia seja «mais criativa» ou que uma mensagem seja «mais persuasiva» e, depois, esperamos que a ferramenta descubra sozinha aquilo que nem nós definimos.
Foi dessa constatação que nasceu a lógica deste e-book. Aqui estão reunidos 99 comandos de utilização ampla e outros 200 concebidos para um trabalho muito mais especializado. São 299 maneiras de reduzir a distância entre aquilo que tens na cabeça e aquilo que realmente pretendes obter da ferramenta. Não foram criados para substituir uma boa conversa com a inteligência artificial, muito menos para transformar o processo criativo numa sucessão mecânica de ordens. Servem para dar direção à conversa e, sobretudo, para nos obrigar a pensar com maior precisão sobre aquilo que estamos a pedir.
Os primeiros 99 comandos lidam com problemas que aparecem todos os dias no trabalho intelectual. Há momentos em que precisamos de analisar, outros em que precisamos de comparar; às vezes, queremos simplificar, estruturar, investigar, encontrar alternativas, testar pressupostos, descobrir riscos ou olhar para uma questão pela perspetiva do cliente. Em vez de escrever uma explicação longa sempre que desejamos iniciar uma dessas operações, um comando estabelece imediatamente a direção. /critic, por exemplo, pede um olhar crítico; /assumptions procura aquilo que estamos a tomar como verdadeiro sem perceber; /devilsadvocate obriga a construir o melhor argumento contrário; /audience desloca a atenção daquilo que queremos dizer para as pessoas que deverão receber a mensagem.
A diferença começa a aparecer quando combinamos essas possibilidades. Imagina que tens uma ideia de negócio e perguntas simplesmente ao sistema se ela é boa. Provavelmente receberás argumentos favoráveis e algumas reservas. Mas podes começar por /critic, continuar com /assumptions, pedir depois /devilsadvocate e terminar com /customer. A ideia permanece a mesma, mas foi obrigada a sobreviver a quatro formas diferentes de observação. Talvez descubras, no final, que a pergunta inicial estava errada. O problema nunca foi saber se a ideia era boa; era descobrir se alguém precisava realmente dela.
É precisamente essa maneira de trabalhar que me interessa. Não quero uma inteligência artificial que me dê rapidamente uma resposta e encerre o assunto. Quero uma ferramenta que me permita abrir o assunto, examiná-lo, contrariá-lo, desmontá-lo e reconstruí-lo até que eu tenha elementos suficientes para tomar uma decisão. Há uma enorme diferença entre receber uma resposta e desenvolver pensamento. O McSill Ultra 5.0 foi concebido para trabalhar nessa segunda direção.
Os 200 comandos seguintes aprofundam esse princípio e levam-no para um território que faz parte da minha vida profissional há mais de cinco décadas: o storytelling, a escrita e a construção narrativa. Muitos desses comandos nasceram da linguagem visual e cinematográfica, mas foram desenvolvidos para funcionar como instrumentos de direção de cena para escritores. Isso significa que o autor pode entrar numa cena e observá-la de outra posição, mudar a distância narrativa, experimentar outro ponto de vista, alterar o momento de uma revelação, examinar o ritmo, procurar o subtexto, testar a tensão ou perceber se a cena está realmente a cumprir uma função dentro da história.
Aqui também é fácil cair na tentação do pedido genérico. Escrevemos uma cena, sentimos que alguma coisa não funciona e pedimos à inteligência artificial que a torne «mais emocionante». Ela provavelmente tentará fazê-lo. Talvez acrescente intensidade ao vocabulário, aumente as reações das personagens, introduza algumas imagens ou torne o diálogo mais enfático. Mas e se o problema não estiver na emoção? Talvez a cena comece cedo demais. Talvez a personagem errada esteja a contar a história. Talvez uma informação tenha sido revelada antes do momento adequado. Talvez as personagens estejam a dizer aquilo que deveriam esconder. Talvez exista conflito, mas não exista tensão. Talvez tenhamos escrito três páginas para chegar a um momento que deveria começar na primeira frase.
Nenhuma dessas questões se resolve simplesmente pedindo «mais emoção». É preciso diagnosticar antes de reescrever. É justamente aí que um conjunto especializado de ferramentas se torna útil, porque deixa de tratar a escrita como uma massa de palavras que precisa de ser embelezada e passa a tratá-la como uma construção narrativa cujos elementos podem ser examinados separadamente. O McSill Ultra 5.0 acrescenta à capacidade de uma inteligência artificial geral uma camada de orientação baseada em critérios de storytelling, estrutura, conflito, intenção, subtexto, ritmo, clareza, persuasão e efeito no leitor.
Isso não significa, porém, que o resultado produzido pela ferramenta deva ser aceito. Pelo contrário. Quanto mais possibilidades a tecnologia nos oferece, maior se torna a responsabilidade de escolher. Uma ferramenta pode sugerir vinte títulos e nenhum deles ser o título certo. Pode reorganizar uma cena e retirar precisamente aquela imperfeição que lhe dava humanidade. Pode recomendar que uma frase seja eliminada porque, do ponto de vista estritamente funcional, ela parece desnecessária, enquanto o autor sabe que aquela frase contém a voz da personagem. Pode produzir uma solução tecnicamente elegante e, ainda assim, alguma coisa dentro de nós dizer que não é aquela.
É nesse ponto que entra o autor. A inteligência artificial consegue gerar possibilidades numa velocidade que nenhum ser humano conseguiria acompanhar, mas quantidade de possibilidades não equivale a critério. A máquina pode oferecer alternativas; alguém precisa de saber escolher. Pode encontrar padrões; alguém precisa de perceber quando vale a pena quebrá-los. Pode organizar uma estrutura; alguém precisa de decidir se aquela história ficará melhor obedecendo à estrutura ou afastando-se dela. A tecnologia pode ampliar capacidades e acelerar processos, mas imaginação, experiência, gosto, intuição, sensibilidade e responsabilidade criativa continuam a pertencer a quem assina o trabalho.
Por isso, não gostaria que estes 299 comandos fossem tratados como uma coleção de fórmulas mágicas. O mais interessante acontecerá quando começares a combiná-los, contrariá-los e até ignorá-los. Podes pedir uma análise crítica e, depois, solicitar que o sistema defenda exatamente aquilo que acabou de criticar. Podes testar uma cena por diferentes pontos de vista e concluir que a versão original continua a ser a melhor. Podes pedir dez alternativas, rejeitar todas e, justamente porque viste dez caminhos que não querias seguir, encontrar um décimo primeiro que nunca te teria ocorrido antes.
Esse, para mim, é um dos usos mais inteligentes da inteligência artificial. Não lhe entregar o pensamento, mas utilizá-la para provocar pensamento. Não pedir que escolha por nós, mas aumentar o número e a qualidade das possibilidades entre as quais podemos escolher. Não a utilizar para evitar o trabalho criativo, mas para retirar parte do trabalho mecânico que tantas vezes nos impede de chegar ao verdadeiramente criativo.
Talvez, depois de algum tempo, aconteça algo ainda mais interessante. Depois de usares /assumptions repetidamente, começarás a procurar pressupostos mesmo sem escrever o comando. Depois de submeteres os teus textos a diferentes formas de crítica, aprenderás a desconfiar da primeira solução que parece boa. Depois de trabalhares muitas vezes com ponto de vista, tensão, conflito, ritmo e subtexto, essas perguntas começarão a surgir durante a própria escrita. Nesse momento, a ferramenta terá feito mais do que produzir resultados: terá contribuído para ampliar a maneira como observas o teu próprio trabalho.
É por isso que não precisas de decorar os 299 comandos deste e-book. Precisas de trabalhar com eles. Experimenta-os em problemas reais, em textos reais, em projetos que te interessam. Combina dois ou três quando uma única perspetiva não for suficiente. Contraria o resultado quando ele não te convencer. Obriga a ferramenta a defender uma posição e, logo depois, a destruí-la. Compara as respostas, escolhe, corta, acrescenta, volta atrás e começa novamente sempre que for necessário. Quanto mais ativa for a tua participação, mais útil será aquilo que o sistema conseguir produzir.
No fundo, o princípio que orienta estas páginas é bastante simples. Ter acesso a ferramentas extraordinárias não transforma automaticamente ninguém num grande profissional, da mesma forma que possuir os melhores instrumentos não transforma uma pessoa num grande cirurgião, músico, carpinteiro ou realizador. Mas também seria absurdo defender que o profissional trabalha melhor quando renuncia aos instrumentos que podem ampliar a sua capacidade.
A questão nunca foi escolher entre o ser humano e a ferramenta. A questão é saber quem está a utilizar quem.
O McSill Ultra 5.0 pode analisar, comparar, questionar, propor, estruturar, reorganizar e abrir caminhos. Pode trabalhar depressa e pode oferecer alternativas quase sem se cansar. Aproveita isso. Faz com que trabalhe. Exige dele possibilidades, diagnósticos e caminhos que demorarias muito mais tempo a explorar sozinho. Depois faz aquilo que nenhuma lista de comandos pode fazer por ti: olha para tudo o que recebeste e decide o que merece permanecer.
Porque os 299 comandos estão aqui para ampliar o teu campo de possibilidades, não para ocupar o teu lugar dentro dele. No final do processo, depois de toda a tecnologia, de todas as análises e de todas as alternativas, ainda existe uma pessoa diante do texto que precisa de dizer: «É isto.»
Essa pessoa continua a ser o autor.
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9 COMANDOS UNIVERSAIS PARA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Uma linguagem simples para orientar qualquer IA
Estes 99 comandos funcionam como atalhos de instrução para tornar a comunicação com uma inteligência artificial mais rápida, clara e objetiva. Podem ser utilizados com praticamente qualquer IA generativa: basta escrever o comando e, em seguida, indicar o conteúdo, problema ou tarefa sobre o qual se pretende trabalhar. Não são funções técnicas incorporadas numa plataforma específica; são formas simples de estruturar prompts e indicar à IA o tipo de resposta pretendida. A qualidade do resultado dependerá da capacidade da IA utilizada, do contexto fornecido e da clareza da solicitação.
1. /action — Transformar ideias em passos concretos de ação
2. /alternative — Sugerir alternativas melhores
3. /analyst — Analisar dados ou informações
4. /assumptions — Identificar pressupostos ocultos
5. /audience — Analisar o público-alvo
6. /automate — Encontrar formas de automatizar uma tarefa
7. /brainstorm — Gerar ideias criativas
8. /brand — Desenvolver a mensagem de uma marca
9. /brief — Dar a resposta mais curta possível
10. /business — Desenvolver ideias de negócio
11. /calendar — Criar um calendário de conteúdos
12. /caption — Escrever legendas para redes sociais
13. /career — Dar orientação profissional
14. /casual — Tornar a escrita mais conversacional
15. /ceo — Analisar com mentalidade de fundador ou executivo
16. /checklist — Criar uma lista de verificação prática
17. /coach — Dar orientação prática
18. /compare — Comparar várias opções
19. /competitor — Analisar concorrentes
20. /concise — Remover palavras e elementos desnecessários
21. /consultant — Fornecer recomendações profissionais
22. /content — Criar uma estratégia de conteúdos
23. /contrarian — Encontrar perspetivas alternativas
24. /copywriter — Criar texto de marketing persuasivo
25. /creative — Pensar de forma criativa e diferente
26. /critic — Identificar fraquezas e falhas
27. /customer — Analisar segundo a perspetiva do cliente
28. /debug — Encontrar e corrigir problemas
29. /decision — Ajudar a tomar a melhor decisão
30. /detailed — Dar uma explicação abrangente e detalhada
31. /devilsadvocate — Defender o ponto de vista oposto
32. /editor — Melhorar a clareza e a qualidade de um texto
33. /eli5 — Explicar de maneira extremamente simples, como para uma criança de cinco anos
34. /email — Escrever um e-mail eficaz
35. /examples — Fornecer exemplos práticos
36. /expert — Dar respostas de nível especializado
37. /factcheck — Separar factos de alegações
38. /flashcards — Criar cartões de estudo
39. /focus — Identificar a tarefa ou questão mais importante
40. /framework — Construir uma estrutura organizada
41. /friendly — Tornar a escrita cordial e próxima
42. /funnel — Construir um funil de marketing
43. /growth — Encontrar oportunidades de crescimento
44. /headline — Gerar títulos fortes
45. /hook — Criar ganchos capazes de captar a atenção
46. /human — Produzir uma escrita mais natural e humana
47. /ideas — Gerar ideias novas
48. /instagram — Criar conteúdo para Instagram
49. /interview — Preparar para entrevistas
50. /json — Estruturar a resposta em JSON
51. /learn — Criar um plano de aprendizagem
52. /linkedin — Criar conteúdo para LinkedIn
53. /logic — Verificar o raciocínio e a lógica
54. /market — Analisar oportunidades de mercado
55. /matrix — Organizar opções numa matriz de decisão
56. /mentor — Responder como um mentor pessoal
57. /offer — Criar uma oferta persuasiva
58. /optimize — Melhorar uma abordagem existente
59. /persuasive — Tornar uma mensagem mais convincente
60. /planner — Construir um plano executável
61. /polish — Refinar a versão final
62. /prioritize — Ordenar tarefas por importância
63. /productivity — Melhorar a produtividade
64. /professional — Tornar a escrita mais profissional
65. /promptengineer — Melhorar e otimizar um prompt
66. /proofread — Encontrar erros gramaticais e ortográficos
67. /proscons — Apresentar vantagens e desvantagens
68. /quiz — Testar conhecimentos através de perguntas
69. /reels — Gerar ideias para vídeos curtos
70. /research — Fazer investigação aprofundada
71. /resume — Melhorar o conteúdo de um currículo
72. /reverse — Trabalhar de trás para a frente a partir do resultado desejado
73. /rewrite — Reescrever com melhor formulação
74. /risks — Identificar riscos potenciais
75. /roadmap — Criar um roteiro para alcançar um objetivo
76. /roleplay — Simular um cenário realista
77. /rootcause — Encontrar a causa fundamental de um problema
78. /sales — Criar mensagens orientadas para vendas
79. /script — Escrever um guião para vídeo ou apresentação
80. /seo — Criar conteúdo otimizado para motores de pesquisa
81. /simplify — Simplificar conteúdo complexo
82. /solution — Gerar soluções práticas
83. /startup — Pensar como um estratega de startups
84. /stepbystep — Explicar passo a passo
85. /storyteller — Transformar informações numa história
86. /strategy — Criar uma estratégia de longo prazo
87. /study — Criar uma estratégia de estudo eficaz
88. /summarize — Resumir os pontos principais
89. /table — Converter informações numa tabela
90. /teacher — Explicar de forma clara e didática
91. /template — Criar um modelo reutilizável
92. /time — Criar um plano de gestão do tempo
93. /tone — Ajustar o tom da escrita
94. /ultimate — Produzir a resposta mais completa e robusta possível
95. /unpopular — Desafiar o pensamento convencional
96. /verify — Identificar aquilo que precisa de verificação
97. /viral — Gerar ideias de conteúdo com elevado potencial de interação
98. /youtube — Criar conteúdo para YouTube
99. /workflow — Criar um fluxo de trabalho completo, organizando tarefas, etapas, dependências e resultados
COMO UTILIZAR
Escreva o comando, deixe um espaço e acrescente a sua solicitação. Exemplo: /critic Analisa os pontos fracos desta proposta. Outro exemplo: /storyteller Transforma estes dados numa história para uma apresentação. Também é possível combinar comandos, como /expert /critic /solution, para solicitar uma análise especializada, uma avaliação crítica e, por fim, soluções para os problemas encontrados.
IA GERAL × McSILL ULTRA 5.0
Dez exemplos: a mesma matéria-prima, dois níveis de construção
A comparação abaixo utiliza deliberadamente a mesma informação em cada par. A intenção não é afirmar que uma inteligência artificial geral seja incapaz de produzir bons textos. Pelo contrário: os modelos atuais podem escrever muito bem. A diferença está no tipo de orientação aplicado à resposta. Uma IA geral tende a resolver aquilo que lhe foi pedido com base nos padrões amplos que conhece. O McSill Ultra 5.0 acrescenta os filtros da Mente Virtual James McSill: intenção, conflito, subtexto, detalhe significativo, progressão, ritmo, voz, ponto de vista, efeito no leitor e função narrativa. Por isso, a diferença não deve aparecer numa escrita fragmentada, artificialmente dramática ou cheia de frases de efeito. Deve aparecer numa narrativa mais consciente, na qual cada escolha tenha uma razão para existir.
EXEMPLO 1 — O REGRESSO À CASA DA INFÂNCIA
Informação fornecida: Um homem de 67 anos regressa à ilha onde nasceu depois de ter vivido 40 anos no estrangeiro. Ao entrar na antiga casa da família, encontra uma chávena que pertencera à mãe.
IA GERAL
Depois de quarenta anos a viver no estrangeiro, António regressou finalmente à ilha onde tinha nascido. Aos 67 anos, trazia consigo muitas recordações e sentimentos. O regresso representava muito mais do que uma simples viagem, pois significava reencontrar as suas raízes e confrontar-se com o passado. Quando chegou à antiga casa da família, sentiu uma mistura de alegria, tristeza e nostalgia.
Ao entrar na cozinha, encontrou sobre a mesa uma chávena que pertencera à mãe. Era um objeto simples, mas possuía para ele um enorme valor sentimental. António pegou cuidadosamente na chávena e recordou as manhãs da infância, quando a mãe preparava o pequeno-almoço. Naquele momento, compreendeu que podemos afastar-nos dos lugares onde nascemos, mas as nossas raízes permanecem sempre connosco.
McSill Ultra 5.0
A chave custou a entrar na fechadura. António tentou uma vez, recuou e, quase sem pensar, levantou ligeiramente a maçaneta antes de voltar a rodá-la. A porta abriu-se. Ficou alguns segundos imóvel, surpreendido não com a casa, mas com a própria mão: quarenta anos depois, ainda se lembrava de um gesto que ele julgava ter esquecido.
Entrou sem acender a luz e avançou pelo corredor até à cozinha. A mesa continuava junto à parede e, sobre ela, havia uma pequena chávena branca com uma lasca na borda. António reconheceu-a antes mesmo de se aproximar. Sentou-se, passou o indicador pela falha da porcelana e recordou a mãe dizendo-lhe que bebesse devagar porque estava sempre com pressa. Aos vinte e sete anos, partira daquela casa convencido de que tinha uma vida inteira pela frente. Aos 67, percebeu que passara boa parte dessa vida a recordar, sem saber, aquilo de que um dia tivera tanta pressa de se afastar. Ficou algum tempo sentado diante da chávena vazia. Depois abriu a janela. O ar da ilha entrou na casa, e António, pela primeira vez em quarenta anos, não tinha nenhum lugar para onde precisasse de partir.
A diferença: A versão geral nomeia diretamente “alegria, tristeza e nostalgia” e explica o significado das raízes. O McSill Ultra transforma essas abstrações em comportamento. A mão que ainda sabe abrir a porta, a lasca da chávena e a antiga pressa de partir tornam-se elementos da mesma história. O objeto não serve apenas para decorar a cena: carrega memória, ausência, tempo e transformação.
EXEMPLO 2 — CONSEGUIR O EMPREGO DEPOIS DE TRÊS REJEIÇÕES
Informação fornecida: Uma mulher recebe num café a mensagem de que conseguiu o emprego que desejava, depois de ter sido rejeitada três vezes.
IA GERAL
Mariana estava sentada num café quando recebeu uma mensagem no telemóvel. Ao descobrir que tinha conseguido o emprego que tanto desejava, ficou extremamente feliz e emocionada. Depois de três rejeições, finalmente todo o seu esforço tinha valido a pena. Sorriu, respirou fundo e percebeu que nunca devemos desistir dos nossos sonhos, porque a persistência acaba muitas vezes por ser recompensada.
McSill Ultra 5.0
O café chegou no mesmo instante em que o nome da empresa apareceu no ecrã do telemóvel. Mariana viu-o e, por alguns segundos, não abriu a mensagem. Na primeira rejeição, respondera imediatamente, agradecendo a oportunidade. Na segunda, esperara uma hora. Na terceira, nem sequer conseguira terminar o e-mail. Agora, diante daquela quarta mensagem, virou o telefone sobre a mesa e tentou beber o café, mas a chávena permaneceu intacta.
Finalmente voltou a olhar para o ecrã. Leu a mensagem uma vez, depois outra, até chegar novamente à palavra «bem-vinda». O empregado aproximou-se e perguntou se estava tudo bem. Mariana olhou para ele, depois para o café que já começava a arrefecer, e sorriu. — Agora está. Durante meses, imaginara que a vitória seria um momento ruidoso. Descobriu que, às vezes, aquilo por que mais lutamos chega em silêncio, numa mesa de café, e precisa de alguns segundos até caber dentro de nós.
A diferença: A versão geral entrega imediatamente o acontecimento, a emoção e a moral. O McSill Ultra cria expectativa antes da revelação e utiliza as três rejeições para explicar o comportamento da personagem. O leitor não recebe apenas a informação de que Mariana perseverou; sente o peso das tentativas anteriores.
EXEMPLO 3 — AUTORIDADE NUMA PALESTRA
Informação fornecida: Um consultor trabalha há 30 anos com empresas e precisa de se apresentar numa palestra.
IA GERAL
Trabalho há 30 anos como consultor empresarial e, durante esse período, tive a oportunidade de acompanhar diversas empresas, líderes e profissionais. Essa experiência permitiu-me compreender muitos dos principais desafios enfrentados pelas organizações. Hoje, quero partilhar convosco alguns dos conhecimentos que adquiri ao longo desta trajetória.
McSill Ultra 5.0
Há trinta anos, muitas empresas procuravam-me para perguntar como poderiam crescer. Hoje, algumas das mesmas organizações, ou os profissionais que passaram por elas, fazem-me uma pergunta diferente: como podemos continuar relevantes? Parece uma mudança pequena, mas talvez resuma boa parte do que aprendi em três décadas de trabalho.
Durante esse tempo, vi tecnologias surgirem, modelos de negócio desaparecerem e certezas empresariais deixarem de ser certezas quase de um dia para o outro. Por isso, não vim aqui apresentar-vos trinta anos de respostas. Vim partilhar algumas das perguntas que esses trinta anos me obrigaram a fazer e, sobretudo, aquilo que precisei de deixar de acreditar para continuar a aprender.
A diferença: A IA geral apresenta credenciais. O McSill Ultra transforma experiência em pensamento. Em vez de simplesmente afirmar autoridade, demonstra-a através da mudança das perguntas ao longo de três décadas. O público recebe uma razão para querer ouvir o que vem depois.
EXEMPLO 4 — UM PAI PERCEBE QUE A FILHA CRESCEU
Informação fornecida: Um pai percebe que a filha cresceu quando ela sai sozinha de carro pela primeira vez.
IA GERAL
Quando viu a filha sair sozinha de carro pela primeira vez, Carlos percebeu que ela já tinha crescido. Sentiu orgulho, mas também preocupação, pois para um pai é difícil aceitar que os filhos se tornam independentes. Ficou a observá-la enquanto o carro desaparecia ao longe e recordou os tempos em que ela ainda era criança.
McSill Ultra 5.0
— Manda-me uma mensagem quando chegares — disse Carlos enquanto a filha procurava alguma coisa dentro da mala. Ela levantou os olhos e sorriu. — Pai, são quinze minutos. — Eu sei. Não havia mais nada a acrescentar. Ela fechou a porta, ligou o carro e desceu a rua. Antes de virar na esquina, ainda levantou a mão através do vidro. Carlos respondeu ao gesto e permaneceu junto ao portão até deixar de ouvir o motor.
Ao entrar em casa, encontrou sobre o móvel uma fotografia dela aos seis anos, sem os dois dentes da frente e com uma mochila quase maior do que o corpo. Endireitou a moldura, embora ela não estivesse torta, e olhou para o telemóvel. Tinham passado apenas dois minutos. Sorriu de si próprio e guardou-o novamente no bolso. Talvez ser pai fosse também isto: passar anos ensinando alguém a partir e, quando finalmente chega o dia, descobrir que quem precisa de aprender a ficar é quem ensinou.
A diferença: A versão geral explica independência, orgulho e preocupação. O McSill Ultra converte os três conceitos em cena e acrescenta uma inversão final: não é apenas a filha que precisa de aprender a sair; o pai precisa de aprender a deixá-la sair.
EXEMPLO 5 — VENDER UM LIVRO PARA QUEM ADIA A ESCRITA
Informação fornecida: Um livro destina-se a pessoas que querem escrever, mas continuam a adiar.
IA GERAL
Sempre sonhou escrever um livro, mas nunca encontrou tempo para começar? Este livro vai ajudá-lo a superar bloqueios, organizar as suas ideias e transformar finalmente o seu sonho em realidade. Através de técnicas práticas e acessíveis, descobrirá como começar hoje mesmo a escrever o livro que sempre desejou.
McSill Ultra 5.0
Talvez o teu livro não esteja por escrever. Talvez esteja por decidir. Porque ideias provavelmente já tens. Talvez tenhas cadernos, ficheiros no computador, frases guardadas no telemóvel, histórias que contas há anos e até um título que aparece e desaparece da tua cabeça. O que continua a faltar não é necessariamente inspiração. É o momento em que deixas de dizer «um dia vou escrever» e passas a dizer «estou a escrever».
Este livro foi criado para esse momento. Não promete escrever por ti nem transformar uma ideia numa obra apenas porque chegaste à última página. Propõe algo mais útil: ajudar-te a transformar intenção em processo, processo em páginas e páginas num livro que possa efetivamente existir. Porque todo livro começa muito antes da primeira frase. Começa quando o autor deixa de negociar consigo próprio se vai ou não o escrever.
A diferença: A versão geral utiliza expressões frequentes em textos promocionais: “realizar o sonho”, “superar bloqueios”, “começar hoje”. O McSill Ultra procura uma premissa específica — o livro talvez não esteja por escrever, mas por decidir — e desenvolve toda a comunicação em torno dela.
EXEMPLO 6 — PALESTRA SOBRE FRACASSO
Informação fornecida: Um empresário perdeu a primeira empresa e, anos depois, tornou-se bem-sucedido.
IA GERAL
O fracasso faz parte do caminho para o sucesso. Quando perdi a minha primeira empresa, pensei que tudo estava acabado. No entanto, essa experiência ensinou-me lições importantes que me ajudaram a construir novos negócios. Hoje compreendo que os nossos maiores fracassos podem transformar-se nas nossas maiores oportunidades.
McSill Ultra 5.0
Quando a minha primeira empresa fechou, levei três caixas para casa. Numa coloquei documentos, noutra os objetos que estavam no meu escritório e, na terceira, os prémios que a empresa recebera nos anos anteriores. Curiosamente, foi essa última caixa que demorei mais tempo a abrir. Aqueles prémios diziam que eu tinha sido um empresário bem-sucedido; a conta bancária dizia algo bastante diferente.
Durante muito tempo pensei que uma das duas versões precisava de estar errada. Hoje sei que ambas estavam incompletas. A empresa tinha feito coisas extraordinárias e, ainda assim, fracassara. Foi quando aceitei essas duas verdades ao mesmo tempo que comecei realmente a compreender o que tinha acontecido. É sobre isso que quero conversar convosco hoje: não sobre como transformar todo fracasso em sucesso, porque a vida não funciona assim, mas sobre como aprender a ler um fracasso antes de decidir o que ele significa.
A diferença: A versão geral começa com uma conclusão conhecida: “o fracasso faz parte do sucesso”. O McSill Ultra começa com uma contradição concreta — prémios numa caixa e problemas financeiros — e transforma essa contradição na tese da palestra. A experiência vem antes da lição.
EXEMPLO 7 — BIOGRAFIA DE UMA MÉDICA
Informação fornecida: Uma médica dedicou 25 anos ao tratamento de crianças.
IA GERAL
A Dra. Helena possui mais de 25 anos de experiência em medicina pediátrica. Ao longo da sua carreira, dedicou-se ao cuidado de milhares de crianças e famílias, combinando conhecimento técnico, experiência e empatia. O seu compromisso com a saúde infantil tornou-a uma profissional respeitada na sua área.
McSill Ultra 5.0
Durante 25 anos, Helena fez perguntas a crianças que muitas vezes ainda não sabiam explicar onde doía. A formação médica ensinara-lhe a procurar sintomas, estabelecer relações e chegar a diagnósticos; as crianças ensinaram-lhe outra parte da profissão: observar uma mão que procura a mão da mãe, perceber um silêncio que não combina com a resposta e saber que, por vezes, a informação mais importante chega antes de qualquer palavra.
Depois de milhares de consultas, continua a entrar no consultório sabendo muito mais medicina do que quando começou, mas conservando a mesma pergunta simples diante de cada novo paciente: — Conta-me o que aconteceu. Talvez seja essa a síntese dos seus 25 anos de profissão. A medicina ensinou-a a diagnosticar; as crianças ensinaram-na a escutar.
A diferença: A IA geral afirma que a médica possui experiência e empatia. O McSill Ultra procura tornar essas qualidades observáveis. A autoridade profissional nasce de ações e perceções, não de adjetivos.
EXEMPLO 8 — UMA ALDEIA QUE PERDEU OS JOVENS
Informação fornecida: Uma aldeia está quase vazia porque os jovens partiram.
IA GERAL
A aldeia era pequena e tranquila. As ruas estavam quase vazias porque muitos jovens tinham partido em busca de melhores oportunidades nas grandes cidades. Restavam principalmente os habitantes mais velhos, que continuavam as suas rotinas e procuravam preservar as tradições locais.
McSill Ultra 5.0
A escola ainda tinha nome, portão e uma placa azul junto à entrada. O que já não tinha eram crianças. O café continuava a abrir às seis da manhã por hábito do proprietário, embora o primeiro cliente raramente aparecesse antes das oito. Na praça havia doze bancos e, naquela manhã, apenas três homens, todos suficientemente velhos para se lembrarem de quando era difícil encontrar um lugar vazio ali.
As casas também não estavam abandonadas, e talvez fosse precisamente isso que tornasse o silêncio mais estranho. Havia cortinas nas janelas, vasos nas varandas e apelidos nas caixas do correio. Havia fotografias dos filhos nas salas e vozes dos netos nos telemóveis. A aldeia não perdera as suas famílias; apenas passara a tê-las espalhadas por outros lugares. Aos domingos, algumas regressavam para almoçar. Ao anoitecer, os carros partiam novamente e a aldeia voltava a caber nas pessoas que tinham ficado.
A diferença: “Despovoamento” é uma ideia abstrata. Escola sem crianças, doze bancos para três homens e netos que existem através do telemóvel tornam essa ideia visível. O McSill Ultra procura encontrar a imagem concreta capaz de carregar o conceito.
EXEMPLO 9 — UM PEDIDO DE DESCULPAS
Informação fornecida: Um homem esqueceu o aniversário de casamento e quer pedir desculpa à esposa.
IA GERAL
Desculpa por me ter esquecido do nosso aniversário. Sei que esta data é importante para nós e compreendo que te tenha magoado. Não existe desculpa para o meu esquecimento. Amo-te muito e espero que possas perdoar-me. Prometo esforçar-me para que isto não volte a acontecer.
McSill Ultra 5.0
Eu poderia explicar que tive uma semana difícil, que estava preocupado com o trabalho e que passei os últimos dias com a cabeça cheia de coisas. Tudo isso é verdade, mas nenhuma dessas verdades muda o facto de ontem ter sido o nosso aniversário e de eu me ter esquecido. Por isso, não quero transformar uma explicação numa desculpa.
Também percebo que o problema não é simplesmente eu ter esquecido uma data no calendário. O que realmente me custa é pensar que, mesmo que tenha sido apenas por algumas horas, posso ter-te feito sentir que aquilo que construímos juntos era suficientemente pequeno para ser esquecido. Não é. E é precisamente por isso que te peço desculpa, sem procurar diminuir aquilo que fiz. Não posso corrigir ontem. Posso apenas assumir o que aconteceu e cuidar melhor daquilo que nunca deveria ter tratado como garantido.
A diferença: O McSill Ultra procura o dano por trás do acontecimento. O acontecimento é esquecer uma data; o dano emocional possível é fazer a outra pessoa sentir que a relação perdeu importância. Quando o texto encontra essa camada, o pedido de desculpas deixa de ser uma fórmula.
EXEMPLO 10 — A EMPRESA QUE COMEÇOU NUMA GARAGEM
Informação fornecida: Uma empresa familiar começou numa garagem e hoje emprega 800 pessoas.
IA GERAL
A nossa história começou há 35 anos numa pequena garagem, com poucos recursos, mas com um grande sonho. Graças ao trabalho árduo, à dedicação e à confiança dos nossos clientes, crescemos ao longo dos anos. Hoje temos orgulho de empregar mais de 800 pessoas e continuamos comprometidos com os mesmos valores que estiveram na origem da nossa empresa.
McSill Ultra 5.0
Na primeira garagem cabiam dois carros, mas nunca lá coube nenhum. O espaço estava ocupado por três mesas, quatro pessoas e caixas encostadas à parede, num começo muito mais simples do que aquilo que a empresa viria a tornar-se. Hoje somos 800 pessoas e, quando contamos esta história, é tentador dizer que crescemos daquela garagem até chegarmos aqui, como se houvesse uma linha contínua entre aquele primeiro espaço e a empresa que somos agora.
Mas não foi assim. Crescemos de cliente em cliente, de erro em erro, de decisão em decisão e, sobretudo, de pessoa em pessoa. A garagem foi apenas o primeiro endereço. A empresa começou verdadeiramente quando alguém que não pertencia à família decidiu confiar no que aquelas quatro pessoas estavam a construir. Talvez tenha sido esse o primeiro grande sinal de crescimento: quando aquilo que era o sonho de uma família passou a fazer sentido também para alguém de fora.
A diferença: A IA geral utiliza elementos previsíveis da narrativa empresarial: “grande sonho”, “trabalho árduo”, “dedicação”, “orgulho” e “valores”. Nada disso está necessariamente errado, mas poderia pertencer a milhares de empresas. O McSill Ultra procura aquilo que só pode pertencer àquela história. A garagem deixa de ser um cliché de origem humilde e transforma-se num ponto de partida para uma ideia mais significativa: uma empresa deixa de ser apenas o sonho dos fundadores quando outras pessoas começam a acreditar nela.
A GRANDE DIFERENÇA
Os dez exemplos mostram algo mais importante do que uma diferença de estilo. Uma IA geral pode produzir textos excelentes, sobretudo quando recebe instruções suficientemente detalhadas. O problema é que o utilizador precisa de saber quais instruções dar. Precisa de lembrar-se de pedir subtexto, conflito, progressão, especificidade, ponto de vista, detalhe significativo, preservação da voz, ritmo, intenção e efeito no leitor.
É precisamente aí que o McSill Ultra 5.0 procura mudar a experiência. Os filtros associados à Mente Virtual James McSill incorporam essa maneira especializada de interrogar o material. Em vez de depender exclusivamente da capacidade do utilizador para escrever um prompt sofisticado, o comando orienta a IA para um conjunto de critérios ligados ao trabalho de James McSill com storytelling, escrita, desenvolvimento narrativo, leitura crítica e comunicação.
A diferença, portanto, não é simplesmente:
IA geral = texto fraco
McSill Ultra 5.0 = texto bom
Essa comparação seria simplista e tecnicamente indefensável.
A diferença mais interessante é:
IA geral = inteligência ampla que
precisa de receber a direção adequada.
McSill Ultra 5.0 = essa capacidade orientada por uma camada especializada de
critérios, métodos e filtros narrativos.
É por isso que, nos exemplos anteriores, a versão McSill não precisa de ser mais rebuscada, mais poética ou mais fragmentada. Pelo contrário. Em vários casos é mais simples. O que muda é a densidade de intenção.
A IA geral pode escrever: “Ele percebeu que a filha tinha crescido.”
O McSill Ultra procura descobrir como o leitor poderia perceber isso antes de o narrador precisar de lhe dizer.
A IA geral pode escrever: “Ela era uma médica experiente e empática.”
O McSill Ultra pergunta: “Que comportamento permitiria ao leitor chegar sozinho a essa conclusão?”
A IA geral pode escrever: “A aldeia perdeu os jovens.”
O McSill Ultra procura a escola que ainda tem nome, portão e placa, mas já não tem crianças.
É essa mudança que importa. Não se trata apenas de gerar palavras melhores. Trata-se de fazer escolhas melhores sobre o que mostrar, o que esconder, quando revelar, onde colocar o significado e quanto confiar na inteligência do leitor.
E essa talvez seja a melhor maneira de explicar o propósito da Mente Virtual James McSill: não substituir a inteligência artificial geral, mas dar-lhe uma mente especializada através da qual olhar para a história antes de começar a escrevê-la.
DEPOIS DO McSILL ULTRA 5.0, ENTRA O AUTOR
Dez textos estruturados pela ferramenta e levados à versão final pelo «McSill Biológico»
O McSill Ultra 5.0 não existe para substituir o escritor. Existe para lhe oferecer estrutura, diagnóstico, possibilidades e uma forma especializada de olhar para o material. Depois disso, começa aquilo que nenhuma ferramenta deveria pretender eliminar: a intervenção humana. Nos dez exemplos seguintes, parto das estruturas anteriormente produzidas pelo McSill Ultra 5.0 e submeto-as a uma nova camada de edição, como faria o «McSill Biológico»: mais atenção ao ritmo, à escolha lexical, à respiração dos parágrafos, ao não dito, à originalidade das imagens e, sobretudo, à verdade emocional. A ferramenta pode indicar caminhos, encontrar fragilidades e propor estruturas. Mas é o autor quem escolhe onde parar, o que retirar, que silêncio preservar e qual frase merece permanecer. A IA pode ajudar a construir a arquitetura. A literatura começa quando uma consciência humana decide como habitar essa arquitetura. O autor continua a ser o autor.
1. O REGRESSO
A chave resistiu na fechadura. António forçou-a uma vez, depois outra, até que, sem pensar, levantou ligeiramente a maçaneta enquanto rodava a chave. A porta abriu-se. Ficou parado, com a mão ainda pousada no metal. Quarenta anos tinham passado desde a última vez que fizera aquele gesto e, no entanto, alguma parte dele permanecera ali, guardada não na memória, mas nos dedos. Entrou devagar. Não acendeu a luz. Conhecia a distância entre a porta e a cozinha, sabia onde o corredor estreitava, onde o soalho costumava ceder sob o peso de um passo. A casa envelhecera, mas ainda sabia recebê-lo.
Na cozinha, uma chávena branca permanecia sobre a mesa. Tinha uma pequena lasca na borda. António aproximou-se e reconheceu-a imediatamente. A mãe servia-lhe café com leite naquela chávena e repetia, quase todas as manhãs, que ele precisava de aprender a sentar-se, porque vivia com pressa. Aos vinte e sete anos, partira da ilha. Aos 67, puxou uma cadeira e finalmente obedeceu. Passou o dedo pela falha da porcelana e ficou ali, diante de uma chávena vazia, tentando compreender como quarenta anos podiam caber numa coisa tão pequena. Depois levantou-se e abriu a janela. O ar entrou primeiro, trazendo o cheiro do mar. António fechou os olhos. Durante grande parte da vida, regressar fora uma ideia. Naquela manhã, tornou-se um lugar onde ele podia ficar.
2. A QUARTA MENSAGEM
O café chegou quando o nome da empresa apareceu no ecrã. Mariana viu-o e virou o telemóvel para baixo. Na primeira rejeição, respondera em três minutos, agradecendo a oportunidade e dizendo que esperava voltar a candidatar-se. Na segunda, demorara uma hora. Na terceira, fechara a mensagem antes de chegar ao último parágrafo. Agora havia uma quarta. A chávena fumegava diante dela, mas Mariana não lhe tocou.
Esperou até o café deixar de deitar vapor. Só então virou o telemóvel e abriu a mensagem. Leu depressa, como quem arranca um penso, e depois voltou ao início porque alguma coisa não fazia sentido. Na segunda leitura encontrou a palavra. Na terceira teve a certeza: «bem-vinda». O empregado aproximou-se e, ao reparar na expressão dela, perguntou se estava tudo bem. Mariana olhou para o homem, depois para a chávena esquecida. — Agora está. Tinha imaginado tantas vezes aquele momento que esperava sentir vontade de gritar, telefonar a alguém, talvez chorar. Em vez disso, ficou quieta. Há vitórias que não chegam com barulho. Chegam discretamente e sentam-se à nossa frente até conseguirmos acreditar que são nossas.
3. TRINTA ANOS DE RESPOSTAS
Há trinta anos, as empresas procuravam-me para fazer uma pergunta: «Como podemos crescer?» Hoje, algumas dessas mesmas empresas, ou as pessoas que passaram por elas, procuram-me com outra: «Como podemos continuar relevantes?» Entre uma pergunta e a outra cabe praticamente toda a minha vida profissional. Vi tecnologias que pareciam ficção tornarem-se banais, negócios considerados indestrutíveis desaparecerem e empresas pequenas ocuparem espaços que gigantes julgavam seus para sempre. Sobretudo, vi boas respostas envelhecerem.
Foi talvez a aprendizagem mais difícil destes trinta anos. Experiência não é acumular respostas até nos tornarmos donos da verdade. É descobrir mais depressa quando uma verdade deixou de servir. Por isso, não vim apresentar-vos três décadas de certezas. Se fosse isso que tivesse trazido, esta palestra seria sobre o passado. Trouxe algo que me parece muito mais útil: as perguntas que sobreviveram às minhas respostas. E trouxe também algumas ideias nas quais acreditei durante anos e que precisei de abandonar para poder continuar a aprender.
4. QUINZE MINUTOS
— Manda-me uma mensagem quando chegares. A filha sorriu enquanto procurava as chaves dentro da mala. — Pai, são quinze minutos. — Eu sei. Ela beijou-o, entrou no carro e arrancou. Antes de virar na esquina, levantou uma mão através do vidro. Carlos respondeu e permaneceu junto ao portão mesmo depois de já não haver ninguém para receber o gesto.
Quando entrou em casa, encontrou sobre o móvel da entrada uma fotografia dela aos seis anos, sem os dois dentes da frente, agarrada a uma mochila quase do tamanho do corpo. Pegou na moldura e limpou com o polegar uma marca inexistente no vidro. Depois tirou o telemóvel do bolso. Tinham passado dois minutos. Guardou-o novamente e riu-se de si próprio. Durante anos ensinara a filha a atravessar a rua, andar de bicicleta, apanhar um autocarro, escolher, decidir, partir. Nunca lhe ocorrera que cada pequena independência dela era também uma preparação para aquele momento. Talvez criar um filho seja isso: passar anos ensinando alguém a ir e descobrir, quando ele finalmente vai, que ainda nos falta aprender a ficar.
5. O LIVRO QUE AINDA NÃO DECIDISTE ESCREVER
Talvez o teu livro não esteja por escrever. Talvez esteja por decidir. Porque, se queres escrever há algum tempo, provavelmente já tens material. Há frases num caderno, notas no telemóvel, ficheiros com nomes como «Livro», «Livro novo» e «Livro definitivo», histórias que contas aos amigos e aquela ideia que regressa justamente quando não tens tempo para fazer nada com ela. Talvez até saibas como o livro começa. O que ainda não fizeste foi deixar de tratá-lo como uma possibilidade.
Este livro não promete escrever por ti. Também não promete transformar quarenta anos de adiamento em trezentas páginas durante um fim de semana. Propõe algo menos espetacular e muito mais útil: ajudar-te a construir um processo no qual a escrita deixe de depender da chegada da inspiração. Porque um livro não começa quando encontramos a primeira frase perfeita. Começa muito antes, quando paramos de perguntar se um dia o escreveremos. O primeiro compromisso de um autor não é com a página. É com a decisão de que haverá uma página.
6. A CAIXA DOS PRÉMIOS
Quando a minha primeira empresa fechou, levei três caixas para casa. Na primeira coloquei documentos que ainda precisava de guardar. Na segunda, os objetos pessoais que tinham sobrevivido aos anos de escritório. Na terceira, coloquei os prémios. Foi a única que deixei fechada durante meses.
Havia qualquer coisa de ofensivo naqueles troféus. Cada um dizia, à sua maneira, que tínhamos feito um excelente trabalho. O banco, os fornecedores e os números diziam outra coisa. Durante muito tempo tentei decidir qual das duas histórias era verdadeira. Anos depois compreendi que essa era a pergunta errada. Tínhamos feito coisas extraordinárias e, ainda assim, tínhamos fracassado. Uma verdade não anulava a outra. Quando finalmente abri aquela caixa, já não precisei de escolher entre orgulho e vergonha. Precisava de aprender com ambos. É disso que quero falar hoje. Não da frase confortável segundo a qual «todo fracasso conduz ao sucesso». Não conduz. Quero falar sobre algo mais difícil e mais útil: como olhar para aquilo que perdemos sem permitir que a derrota conte sozinha a história de quem fomos.
7. O QUE AS CRIANÇAS LHE ENSINARAM
Durante 25 anos, Helena fez perguntas a crianças que nem sempre possuíam palavras suficientes para responder. Algumas apontavam. Outras choravam. Outras diziam que não doía enquanto apertavam com força a mão da mãe. A universidade ensinara-lhe anatomia, diagnóstico, farmacologia e tudo aquilo que um médico precisa de saber antes de entrar num consultório. Foram as crianças que lhe ensinaram o que observar quando as palavras não bastavam.
Com o tempo, começou a reparar em coisas que não apareciam nos manuais: o olhar que procura os pais antes de uma resposta, a mão que protege um lugar do corpo antes mesmo de alguém perguntar onde dói, o silêncio que chega um segundo demasiado cedo. Depois de milhares de consultas, Helena sabe incomparavelmente mais medicina do que sabia quando começou. Curiosamente, continua a iniciar muitas consultas com a mesma frase: — Conta-me o que aconteceu. Talvez porque 25 anos tenham confirmado algo que nenhum diploma poderia ensinar-lhe sozinho: a medicina ensinou-a a diagnosticar doenças; os pacientes ensinaram-na a escutar pessoas.
8. A ALDEIA QUE FICOU
A escola ainda tinha nome, portão e uma placa azul presa à parede. O que já não tinha eram crianças. No café, Joaquim continuava a levantar a porta metálica às seis da manhã, como fizera durante quase quarenta anos, embora soubesse que o primeiro cliente dificilmente apareceria antes das oito. Na praça havia doze bancos. Naquela manhã, três estavam ocupados. Os homens sentados neles lembravam-se de um tempo em que era preciso chegar cedo para conseguir lugar.
As casas também não estavam abandonadas. Talvez fosse isso que tornasse tudo mais difícil de explicar. Havia roupa nas gavetas, pratos nos armários, fotografias nas paredes e nomes nas caixas do correio. Os filhos existiam, apenas viviam longe. Os netos chegavam através de pequenos ecrãs, mostravam dentes novos, aniversários, uniformes escolares e quartos que os avós conheciam sem nunca terem visitado. Aos domingos, alguns carros regressavam. A praça recuperava vozes, portas abriam-se, panelas enchiam cozinhas e, por algumas horas, a aldeia parecia lembrar-se de si própria. Depois vinha o fim da tarde. Os carros partiam um a um e quem ficava aprendia novamente a ouvir o silêncio.
9. DESCULPA
Eu poderia dizer que tive uma semana difícil. É verdade. Poderia explicar o que aconteceu no trabalho, as preocupações que levei para casa e tudo aquilo que ocupou a minha cabeça nos últimos dias. Também seria verdade. Mas existe uma diferença entre explicar por que fiz alguma coisa e usar essa explicação para diminuir aquilo que fiz. Ontem era o nosso aniversário e eu esqueci-me.
O que mais me incomoda não é ter falhado uma data. É imaginar que o meu esquecimento possa ter-te feito sentir, ainda que por algumas horas, que aquilo que construímos juntos se tornou tão habitual para mim que já não precisava de ser cuidado. Se te fiz sentir isso, então o dano foi maior do que esquecer um dia no calendário. Não posso regressar a ontem e lembrar-me a tempo. Posso apenas não me esconder atrás das razões que tenho para ter esquecido. Por isso, desculpa. Não te peço que finjas que não aconteceu. Peço-te apenas a oportunidade de mostrar, nos dias que não estão assinalados no calendário, que continuo a saber o valor daquilo que quase tratei como garantido.
10. A GARAGEM
Na primeira garagem cabiam dois carros, mas nunca lá coube nenhum. Havia três mesas, quatro pessoas, algumas cadeiras diferentes umas das outras e caixas encostadas à parede porque ainda não existiam armários suficientes. Ninguém que entrasse ali naquela época teria visto uma empresa de 800 pessoas. Para dizer a verdade, nem nós. Víamos apenas o trabalho daquele dia, o cliente que precisava de uma resposta e as contas que teriam de esperar até ao fim do mês.
Hoje, quando contamos esta história, existe a tentação de traçar uma linha perfeita entre aquela garagem e aquilo que somos agora. É assim que as histórias de sucesso costumam ser contadas depois de o sucesso acontecer: retiramos as hesitações, organizamos os acidentes e fazemos o passado parecer um plano. O nosso não foi. Crescemos de cliente em cliente, de erro em erro, de decisão em decisão e, sobretudo, de pessoa em pessoa. A garagem foi apenas o primeiro endereço. Talvez a empresa tenha começado verdadeiramente no dia em que alguém que não pertencia à família decidiu acreditar no que aquelas quatro pessoas estavam a construir. Foi quando o nosso projeto deixou de ser apenas nosso. E talvez seja essa a medida mais verdadeira do crescimento: não o tamanho do lugar que ocupamos, mas quantas pessoas passaram a encontrar um lugar dentro daquilo que começámos.
O QUE ACONTECEU ENTRE O ULTRA E ESTES TEXTOS
É aqui que convém estabelecer uma fronteira importante. Estes textos não pretendem demonstrar que a máquina se tornou escritora. Demonstram praticamente o contrário.
O McSill Ultra 5.0 pode ajudar a encontrar a arquitetura: onde existe uma história, qual pode ser o conflito, que objeto merece ganhar significado, onde há subtexto, qual informação está excessivamente explicada, onde pode existir uma viragem e que efeito determinado trecho procura produzir no leitor. Isso já representa uma diferença considerável em relação a simplesmente pedir a uma IA geral: «Escreve um texto bonito sobre isto.»
Mas depois entra aquilo a que podemos chamar, deliberadamente, de McSill Biológico.
É o ser humano que olha para «a chave não entrou» e percebe que há algo muito mais interessante na mão que, quarenta anos depois, ainda sabe levantar a maçaneta. É o humano que decide que os prémios devem permanecer meses dentro da caixa. É o humano que percebe que o pai não precisa de dizer «estou preocupado» quando pode simplesmente verificar o telemóvel dois minutos depois. É o humano que descobre que a história da garagem não é sobre uma garagem, mas sobre o instante em que o sonho de quatro pessoas começou a pertencer também a outras.
A ferramenta pode propor. O escritor seleciona.
A ferramenta pode estruturar. O escritor desequilibra a estrutura quando a história exige.
A ferramenta pode identificar uma emoção. O escritor decide que talvez seja melhor não lhe dar nome.
A ferramenta pode produzir vinte metáforas. O escritor pode eliminar as vinte e deixar apenas uma chávena sobre uma mesa.
É precisamente por isso que a evolução da inteligência artificial não diminui necessariamente a importância do autor. Para quem sabe escrever, pode fazer o contrário: devolve-lhe mais possibilidades para escolher.
O McSill Ultra 5.0 pode fornecer estrutura, diagnóstico e matéria para trabalhar. O «McSill Biológico» acrescenta experiência vivida, gosto, intuição, memória, hesitação, repertório, sensibilidade e, sobretudo, responsabilidade pela escolha final.
Porque, no fim, a ferramenta não assina o livro.
O autor assina.
E deve continuar a merecer a assinatura que coloca na capa.
Nota sobre a língua utilizada neste e-book
Alguns dos e-books que receberão estão escritos em português de Portugal. São
materiais que utilizo nas minhas palestras e atividades realizadas em Portugal
e que não foram produzidos para publicação ou distribuição ao público em geral.
Poderia adaptá-los para outra variante do português, mas optei por preservar os
textos tal como foram originalmente preparados e utilizados. As diferenças são
sobretudo de vocabulário e de algumas construções linguísticas e não deverão
dificultar a compreensão do conteúdo.
Caso encontrem alguma palavra, expressão ou construção que não compreendam,
consultem-me. Terei todo o gosto em esclarecer.